Talvez Não Tantas Dezoilusões



 E os 18 anos chegaram, e vieram tão calmamente que nem ao menos percebi. Acho que desde criança sempre sonhei com essa idade. Quando brigava com meus pais, então logo pensava como seria ótimo ter dezoito e sonhava em ser dona do meu próprio cabelo, umbigo e nariz.  Também idealizava essa idade quando via as festas para maiores de idades, jovens sensuais legais pulando no som da música, sorrindo, se beijando e abraçando, todos tendo a vida dos sonhos, aqueles sorrisos de filmes americanos me contagiavam e me faziam sonhar inúmeras vezes como tudo seria 10 vezes melhor quando minha hora chegasse. Meus primos mais velhos também me contribuíram nas minhas idealizações em me tornar maior de idade, sendo a caçula acabei vendo todos fazendo tudo que tanto desejei antes de mim, eu os ouvia conversando e rindo sobre uma festa qualquer que foram juntos, falando palavras indecifráveis para mim naquela época, e quando eu perguntava o que era a palavras indecifráveis,  eles gargalhavam e me chamavam de pequena – apelido que mantenho até hoje. Para mim naquela época 18 era idade, para beber, chegar a hora que quisesse em casa, namorar muito e principalmente ter amigos perfeitos para todos os momentos, andar de carro a noite pela cidade, usar identidades falsas, rir de um policial qualquer e fugir dele junto com meus amigos nas vielas do centro da cidade. Mera ilusões um pouco reais não posso mentir.


Os 18 anos chegaram, e junto ele veio lotado de responsabilidades e mudanças, pra começo de conversa o vestibular que é sem duvida a maior responsabilidade do ano. As festas não vieram como imaginei, sabe sempre pensei em todo sábado um amigo meu passando em casa para me levar um lugar legal, onde todo mundo estaria bebendo Heineken e Smirnoff e Absolut, diferente dos meus sonhos ainda não sai fugida pela janela e deixei um monte de casaco embaixo do edredom fingindo ser meu corpo, nem levei uns esporo dos meus pais por chegar em casa bêbada sendo trazida por uma melhor amiga desequilibrada mentalmente assim como eu . Também diferente dos meus sonhos acabei não sendo do grupinho dos loucos, que bebem e fumam na frente da escola todos os dias. Sim, bebo quando estou a fim não vou negar, mas não bebo sempre, mas também não vou tentar mandar aquele papinho que só bebo socialmente, porque beber com os amigos no fim de semana não é beber socialmente.

Meu aniversário de 18 anos também foi uma enorme quebra sem dor na consciência com meus sonhos, sempre imaginei chegando com umas amigas em um bar e mandar descer a bebida e esfregar minha identidade na cara do tio do bar. Pelo contrario com meus sonhos acabei acampando sozinha com a minha prima mais velha numa praia, conheci um monte de fumante estupidamente perfeitos e me fazer rir e acabar com meu brigadeiro, bebi sim mas não com o glamour dos meus sonhos nem com as pessoas dele.


Beleza foi outro ponto frustrante ao chegar aos 18 anos, desde pequena por algum motivo sempre achei que todo mundo ficava legal e bonito magicamente quando fazia 18 anos, sério mesmo eu fantasiava tudo isso. Mas na real quase ninguém passa por isso, aliás, aos 18 anos e quando a maioria de nós começou a se livrar das espinhas e a ter nossos corpos finalmente definidos, claro que não pelas na maioria das aulas intoleráveis de educação física da escola. Outro ponto muito diferente dos meus sonhos sempre baseados em filmes americanos, diferente das escolas americanas dos filmes onde todos se dedicam a comparecer nas aulas de educação física e ficar que nem louca torcendo pelos meninos do futebol, por aqui todo mundo sabe que educação física no ensino médio é apenas uma aula para se cabular ou ficar trocando sms o tempo todo, muito difícil uma escola onde todos comparem animados nessas aulas na altura do campeonato, prestes a se livrar de toda chata burocracia escolar.


Bem sem fugir do assunto, não posso dizer que meus 18 anos foram extremamente frustrantes porque não estão sendo, na maior parte do tempo ele é chato por eu não poder de alguma forma realizar os meus principalmente o de sair pelo telhado de casa – já que moro em prédio, mas uma coisa eu agradeço, foi que aprendi muito nesses 18 anos e percebi que nada e conto de fada e muitas vezes nem chega perto. Porém coloco a culpa frustrante dessa idade aos meus pais, diferente da maioria dos pais os meus nunca foram presos a normas socialmente impostas, nunca fizeram o tipo carrasco, mas também não me deixavam ficar fumando maconha no meio da sala, eles também nunca me proibiram nada que me lembre e acho que essa é a parte frustrante, porque meus velhos nunca controlaram os rédeas firmes minha vida ou minhas amizades, sempre me deixaram  andar com o povo mais louco do bairro ou sair a noite ou sumir pela cidade andando de skate, eles sempre me mostraram os dois lados da moeda, o do desequilíbrio sensual e da imposição indesejada. Acho que por isso no final das contas por conhecer os dois lados da moeda preferir viver naquela fina lateral dela, não rebelei meu lado louco, mas também não fui santa 100%. Prefiro no final das contas andar com pessoas normais, não curto o totalmente puritanos criados em laboratórios, entretanto os 100% loucos me enchem a paciência depois de um tempo. Escolhi dirigir meus 18 anos o mais normalmente possível, e eles serão vividos assim como os 17 ou os outros anos que estão por vir, no fim das contas 18 sempre será apenas meu número da sorte, e não um número que significa o poder do meu mundo como sempre imaginei. E a sonhada fuga de casa para viajar sem destinos com os amigos ainda não ocorreu, mas uma hora vai ocorrer, mas por conta dos meus pais duvido que vire uma fuga, talvez apenas uma louca viagem sem destino e grana.

Mariana Vieira Galvão.

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