Realmente Quero Desejar?



Afinal de contas o que eu realmente quero? O que eu realmente espero? A diferença entre querer, desejar, necessitar e precisar é muito pequena e quase nunca consigo diferenciar. Tentei fazer uma lista as coisas que mais quero nessa vida, jurei para mim mesma apenas listar algo se eu realmente o quisesse, horas se passaram e no final das contas apenas um item entrou na minha lista (e não foi voltar a ficar com ele), a única coisa que realmente quero nessa vida e sempre ter a minha família unida.

Após ver minha lista com apenas um item, me senti mal por ser tão honesta comigo mesma ou tão sem anseios, fiquei refletindo e tentei me animar, talvez não fosse à única. Será que alguém realmente tem a capacidade de listas pelo menos 10 coisas que realmente querem nessa vida? Não venha com eu quero ficar rico ou coisas do tipo, porque isso é um desejo tão banal que até os bilionários devem ainda o deseja.
A única diferença entre desejar e querer esta no seu esforço para fazer as coisas acontecerem. Porque quando desejamos algo acabamos muitas vezes nós acomodando e não corremos atrás do fruto dos nossos desejos, apenas ficamos sentados esperando nossos desejos acontecerem, igual a quando éramos crianças e desejávamos a toda hora uma coisa nova. Já o querer na minha singela opinião é um desejar que se tornou de máxima importância, um desejar que não conseguimos viver sem,nós sentimos inúteis e triste quando de alguma forma não os realizamos, querer então nada mais é do que um desejar os esforço de se fazer acontecer. Porque todo mundo desde o mais malandro até o mais esforçado, quando realmente queremos alguma coisa de verdade, nós acabamos nós dedicando 100% até alcança nossa meta, e nada nem ninguém consegue nós desanimar atingir nossas metas. É nossos quereres ás vezes são tão importantes ou não, podemos realmente querer uma viagem ou descobrir a cura do câncer, varia de pessoa para pessoa, mas sempre o querer trás junto o esforço porque querer não é querer de verdade se não damos tudo de nós para realizá-lo. 


Eu pelo menos sou assim, se quero alguma coisa faço de tudo para conseguir realizar, não penso no esforço necessário nem nós sacrifícios que terei que fazer para conseguir, porque afinal de contas quero porque quero e ponto final. Muitas vezes falamos que queremos isso ou aquilo, será que realmente queremos? Ou não é algo que apenas gostaríamos de ter ou fazer acontecer? Não é apenas mais um desejo ou necessidade? Qual é o real significado do querer? Será que sou uma pessoa acomodada por não querer quase nada? Só sei que nunca quis muita coisa nessa vida, nem sei se realmente quero ser feliz, porque muitas vezes prefiro me afundar nós meus pensamentos pessimistas de vez de tentar superá-los, prefiro ter uma mente sem lembranças a encarar meus problemas. Viu, no fundo são apenas desejos. 

Agora analisando todo nosso antigo relacionamento, acho que no fundo você foi um querer que para minha infelicidade logo virou um desejar. Sim, enquanto eu não te tinha te queria desesperadamente, como uma criança quer doce depois do almoço, como um cachorro quer afago do seu dono, quando me perguntavam o porquê de eu te querer tanto, eu apenas falava que queria e ponto. Não era um assunto discutível para mim na época, no fundo nem eu sabia o que realmente queria em você e de você, é acho que o fato de não ter descoberto isso pode ter sido apenas mais uma causa para o nosso termino.  Fui mesquinha ao extremo até te conseguir para mim, joguei sujo com aquela minha amiga que gostava de você. Nunca medi esforços para conseguir o quero, meu único limite sempre foi a minha família, no final ela não é da minha família, então naquela época meu querer infantil e sem motivo virou mesquinho e alheio aos outros, principalmente com ela. Foi tudo muito rápido, depois de te querer tanto consegui, porém enjoei, não vou ser falsa com minhas palavras, enjoei sim, eu enjoei de você, mas não assumia para mim de jeito nenhum que aquele meu querer todo havia virado apenas mais um dos meus desejos, perdeu a graça, mas você também contribuiu para enfraquecer meu querer, aquelas brigas apenas serviam para acentuar meu desencanto com você é o nosso amor. Chega já cansei de falar sobre nós, como já disse a primavera está chegando.



No final só quero um dia querer realmente pelo menos 10 coisas, mas será que quero mesmo isso? Talvez apenas esteja novamente desejando, e desejar no final das contas não passa de um sonho com pouca probabilidade de virar realidade, porque eu não me esforço com os meus desejos, deixo eles todo dia nascerem dentro de mim e morrem logo, podem até durar um tempo, entretanto logo são substituídos por outros desejos tão leves como os anteriores, que com certeza seguiram o mesmo ciclo. Então já decidi, apenas desejo parar de desejar tanto, é pelo visto minha lista vai continuar travada no meu único querer que pra minha felicidade já dura por 18 anos e espero que dure até o último desejo que habitar minha mente sempre tão fluída. 

Mariana Vieira Galvão.

Nosso Antigo Clima



No começo a falta de calor era pior, eu me via perguntando a todo o momento internamente porque não podia mais falar com você, queria apenas que como naquele verão você beijasse a minha testa e me tranquilizasse, mas a areia já não estava mais ao alcance dos meus pés. Como sempre mesmo já tendo acabado, você e todo nosso grande sentimento ainda me consumiam, mesmo não estando mais perto de ti, nosso amor ainda me engolia a cada minuto tão forte como no dia que trocamos aquele tão simples olhar, o dia que nossas pálpebras não queriam se fechar, com certeza você ainda se lembra, chegamos a lacrimejar de uma dor tão feliz e eufórica. A chama ainda estava azul de tão quente dentro de mim.
Mesmo eu jogando areia a cada hora que emergia em meus pensamentos nos dois, a areia parecia apenas aquecer os meus pensamentos, os buracos pareciam não ter fim e quanto mais areia eu jogava num pensamento meu tentando te esquecer, outro buraco automaticamente surgia ainda mais fundo e mais repleto com nossos felizes momentos juntos. Quando não era outro buraco surgindo, o tão terrível vento aparecia e servia apenas para consumir todos meus grãos de areia e jogar todo meu falho esforço pelos ares, não demorava muito para eu voltar a dialogar comigo mesma os prós e os contras de nosso relacionamento. 

Já havia feito esse cansativo e doloroso exercício de jogar areia e fazer buracos inúmeras vezes, como sempre por conta de nossas tão irrelevantes brigas, eram tantas que eu nem ao mesmo não cogitava que aquele vento quente não apareceria nem ao menos como aquela amável brisa. A brisa que acariciava e me abraçar forte me acalmando em mais uma típica noite do nosso verão. Esperei por horas, dias, meses e as ondas do meu celular não se mexiam mais, nele nenhum notícia sobre os fortes ventos que sempre voltavam a me procurar depois de um certo tempo.


Irritada tirei sozinha toda areia dos meus pensamentos, com o celular na mão decidi partir para o Norte atrás da minha massa de ar, com a internet ligada procurei por todos os cantos inimagináveis, parecia que quanto mais ao norte eu viajava mais ao sul as fortes massas de ar se deslocavam e aquilo não fazia sentido para minha dinâmica climática, os meu desejoso vento parecia dessa vez estar fugindo de mim.

Então cansada resolvi descansar debaixo daquela árvore onde você e eu planejamos tantas vezes nosso futuro, lembra? Nossos filhos iriam aprender a viver debaixo daquela árvore, assim como nós dois aprendemos juntos. Numa manhã fria uma forte brisa me acordou, primeiramente respirei tentado a colocar por inteira dentro de mim, ela tinha que ser minha novamente. Porém a brisa dessa vez era diferente, ela estava fria e não me aquecia em mais nada, minhas pálpebras queriam se manter fechadas não acreditando o quanto a brisa estava me punindo por todos nossos erros, meus beijos já não adiantavam de nada, então me desesperei. A brisa logo se tornou num vento destruidor, ele começou a me ferir de dentro para fora, me jogava areia na face machucando minhas pálpebras ainda fechadas tentando em vão se proteger ou fingir que tudo não passava de um pesado, mas dessa vez era real.



Foi depois de alguns minutos que percebi que o inverno havia chegado, junto com ele veio os ventos frios que sobravam e compactavam meus buracos automaticamente com areia, naquele momento até mesmo o nosso mar parecia me julgar. Demorou, mas com o tempo acostumei a ausência daquela tão tranquilizadora e amável brisa, que sempre estará muito bem guardada na minha mente, não quero nunca pensar nela de um jeito triste, mas também não quero mais depender dela como dependia antigamente. O problema do verão é que ele nunca irá durar para sempre, entretanto agora a primavera está chegando e brisas diferentes se aproximam, mas nenhum chegará ao nível daquela quentura, maciez e amor daquela brisa do nosso verão. Foi um verão longo e duradouro, mais o inverno foi ainda pior. Por isso não me julgue agora que a primavera está chegando.

Mariana Vieira Galvão.

Talvez Não Tantas Dezoilusões



 E os 18 anos chegaram, e vieram tão calmamente que nem ao menos percebi. Acho que desde criança sempre sonhei com essa idade. Quando brigava com meus pais, então logo pensava como seria ótimo ter dezoito e sonhava em ser dona do meu próprio cabelo, umbigo e nariz.  Também idealizava essa idade quando via as festas para maiores de idades, jovens sensuais legais pulando no som da música, sorrindo, se beijando e abraçando, todos tendo a vida dos sonhos, aqueles sorrisos de filmes americanos me contagiavam e me faziam sonhar inúmeras vezes como tudo seria 10 vezes melhor quando minha hora chegasse. Meus primos mais velhos também me contribuíram nas minhas idealizações em me tornar maior de idade, sendo a caçula acabei vendo todos fazendo tudo que tanto desejei antes de mim, eu os ouvia conversando e rindo sobre uma festa qualquer que foram juntos, falando palavras indecifráveis para mim naquela época, e quando eu perguntava o que era a palavras indecifráveis,  eles gargalhavam e me chamavam de pequena – apelido que mantenho até hoje. Para mim naquela época 18 era idade, para beber, chegar a hora que quisesse em casa, namorar muito e principalmente ter amigos perfeitos para todos os momentos, andar de carro a noite pela cidade, usar identidades falsas, rir de um policial qualquer e fugir dele junto com meus amigos nas vielas do centro da cidade. Mera ilusões um pouco reais não posso mentir.


Os 18 anos chegaram, e junto ele veio lotado de responsabilidades e mudanças, pra começo de conversa o vestibular que é sem duvida a maior responsabilidade do ano. As festas não vieram como imaginei, sabe sempre pensei em todo sábado um amigo meu passando em casa para me levar um lugar legal, onde todo mundo estaria bebendo Heineken e Smirnoff e Absolut, diferente dos meus sonhos ainda não sai fugida pela janela e deixei um monte de casaco embaixo do edredom fingindo ser meu corpo, nem levei uns esporo dos meus pais por chegar em casa bêbada sendo trazida por uma melhor amiga desequilibrada mentalmente assim como eu . Também diferente dos meus sonhos acabei não sendo do grupinho dos loucos, que bebem e fumam na frente da escola todos os dias. Sim, bebo quando estou a fim não vou negar, mas não bebo sempre, mas também não vou tentar mandar aquele papinho que só bebo socialmente, porque beber com os amigos no fim de semana não é beber socialmente.

Meu aniversário de 18 anos também foi uma enorme quebra sem dor na consciência com meus sonhos, sempre imaginei chegando com umas amigas em um bar e mandar descer a bebida e esfregar minha identidade na cara do tio do bar. Pelo contrario com meus sonhos acabei acampando sozinha com a minha prima mais velha numa praia, conheci um monte de fumante estupidamente perfeitos e me fazer rir e acabar com meu brigadeiro, bebi sim mas não com o glamour dos meus sonhos nem com as pessoas dele.


Beleza foi outro ponto frustrante ao chegar aos 18 anos, desde pequena por algum motivo sempre achei que todo mundo ficava legal e bonito magicamente quando fazia 18 anos, sério mesmo eu fantasiava tudo isso. Mas na real quase ninguém passa por isso, aliás, aos 18 anos e quando a maioria de nós começou a se livrar das espinhas e a ter nossos corpos finalmente definidos, claro que não pelas na maioria das aulas intoleráveis de educação física da escola. Outro ponto muito diferente dos meus sonhos sempre baseados em filmes americanos, diferente das escolas americanas dos filmes onde todos se dedicam a comparecer nas aulas de educação física e ficar que nem louca torcendo pelos meninos do futebol, por aqui todo mundo sabe que educação física no ensino médio é apenas uma aula para se cabular ou ficar trocando sms o tempo todo, muito difícil uma escola onde todos comparem animados nessas aulas na altura do campeonato, prestes a se livrar de toda chata burocracia escolar.


Bem sem fugir do assunto, não posso dizer que meus 18 anos foram extremamente frustrantes porque não estão sendo, na maior parte do tempo ele é chato por eu não poder de alguma forma realizar os meus principalmente o de sair pelo telhado de casa – já que moro em prédio, mas uma coisa eu agradeço, foi que aprendi muito nesses 18 anos e percebi que nada e conto de fada e muitas vezes nem chega perto. Porém coloco a culpa frustrante dessa idade aos meus pais, diferente da maioria dos pais os meus nunca foram presos a normas socialmente impostas, nunca fizeram o tipo carrasco, mas também não me deixavam ficar fumando maconha no meio da sala, eles também nunca me proibiram nada que me lembre e acho que essa é a parte frustrante, porque meus velhos nunca controlaram os rédeas firmes minha vida ou minhas amizades, sempre me deixaram  andar com o povo mais louco do bairro ou sair a noite ou sumir pela cidade andando de skate, eles sempre me mostraram os dois lados da moeda, o do desequilíbrio sensual e da imposição indesejada. Acho que por isso no final das contas por conhecer os dois lados da moeda preferir viver naquela fina lateral dela, não rebelei meu lado louco, mas também não fui santa 100%. Prefiro no final das contas andar com pessoas normais, não curto o totalmente puritanos criados em laboratórios, entretanto os 100% loucos me enchem a paciência depois de um tempo. Escolhi dirigir meus 18 anos o mais normalmente possível, e eles serão vividos assim como os 17 ou os outros anos que estão por vir, no fim das contas 18 sempre será apenas meu número da sorte, e não um número que significa o poder do meu mundo como sempre imaginei. E a sonhada fuga de casa para viajar sem destinos com os amigos ainda não ocorreu, mas uma hora vai ocorrer, mas por conta dos meus pais duvido que vire uma fuga, talvez apenas uma louca viagem sem destino e grana.

Mariana Vieira Galvão.

Sem Entender


Viver deve ser uma das palavras mais incompreensíveis de se entender, afinal de contas o que realmente é viver? Viver é arriscar ao máximo tentando ser feliz? Ou viver é apenas tentar deixar as coisas fluírem naturalmente? Talvez viver seja tentar se em encaixar em algo que realmente se encaixa com você, apenas talvez seja isso. Vemos, lemos, escutamos a cada minuto mais e mais pessoas nós mostrando ou vendendo objetos que garantem ser extremamente necessários para nossa existência, mas afinal de conta o que realmente é preciso para não se viver à toa? Será realmente que aquela roupa super cara é realmente necessária na sua vida, ou no final das contas não é mais um simples pedaço de pano a ser doado para alguém daqui alguns anos?

Sempre tive medo de viver, não me julgue depressiva porque acho que estou longe de ser. Porém assumo realmente sempre tive e acho que terei medo de viver mas não é exatamente  de viver em si que tenho medo, tenho medo de viver erroneamente. Tenho medo de fingir estar vivendo, tenho medo de viver em mais um dos meus diversos sonhos, não que minha vida seja perfeita – afinal a de quem é? – está novamente longe de ser, mas não costumo reclamar dela.  Viver é depois descobrir que vivi a toa, é desse viver que morro de medo todos os dias em quem acordo. Será que existe a fórmula certa para se viver essa vida? A fórmula que me mostre como aproveitar cada minuto como se fosse o último, que não me faça me arrepender de minhas atitudes ou falta delas. Se existe deve estar guardada no fundo de uma gaveta velha, misturada com diversas outras lembranças tão adoradas. 

Porque existem duas fases das nossas vidas em que as pessoas realmente parecem ser felizes, uma é quando somos crianças. Nessa época deliciosa em que nossa maior preocupação é saber se vai fazer sol na outra manhã e se poderemos comer batata-frita no almoço. Sim, realmente éramos felizes nessa época, não nós preocupávamos com o que é felicidade com o real caminho que estamos dando para nossas vidas, apenas vivíamos cada dia como queríamos dentro dos limites delimitados pelos nossos pais.  A outra fase trata-se de nossa velhice, mas o sentido da vida só nós chega nessa idade quando realmente aceitamos de braços abertos e com um imenso sorriso de dever cumprido estampado no rosto. Sério mesmo, todo mundo já viu um daqueles grupos de idosas super animadas na hidroginástica do clube. Ou o time de futebol dos idosos do bairro, eles cheios de problemas de saúde na maior parte das vezes correm mais alegres que muitos jovens em aulas de educação física do colégio. Ver idosos animados sempre me faz ganhar o dia, fico pensando como posso ser tão cheia de besteira na cabeça? Enquanto os vejo e percebo que para realmente ser feliz é preciso ter pouco, parar de criticar tudo e deixar fluir naturalmente.

Entretanto me encontro na idade chata da vida, aquela em que preciso decidir tudo. Vestibular, carreira, namorado, amizades, personalidade, interesses. Minha infância já passou a uns bons anos, não me lembro mais como garantir aquele sorriso sem preocupação, e minha velhice está mais longe ainda de chegar, então ainda não compreendi o real motivo da vida. Sendo assim vou tentar continuar vivendo, pensando, errando, chorando e me principalmente me arrependendo, mas continuarei tentando viver e viver do jeito certo, se é que realmente existe um jeito certo para se viver essa complicada vida. Será que vida de barata é mais fácil? Como vou saber? Diferente de Gregor Samsa ainda não virei barata, mas a vida para ele também não me pareceu fácil.  No final das contas viver é difícil, dói, machuca, fere, mas ainda sim assim como a maioria ainda prefiro continuar tentar entender o que realmente é viver, do que acabar com tudo. Sempre gostei de um bom mistério, e espero ser um daquelas velhas animadas da hidroginástica, porque elas sim me parecem ótimas detetives.

Mariana Vieira Galvão.
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