Viver deve ser uma das palavras mais incompreensíveis de se
entender, afinal de contas o que realmente é viver? Viver é arriscar ao máximo
tentando ser feliz? Ou viver é apenas tentar deixar as coisas fluírem naturalmente?
Talvez viver seja tentar se em encaixar em algo que realmente se encaixa com
você, apenas talvez seja isso. Vemos, lemos, escutamos a cada minuto mais e
mais pessoas nós mostrando ou vendendo objetos que garantem ser extremamente necessários
para nossa existência, mas afinal de conta o que realmente é preciso para não
se viver à toa? Será realmente que aquela roupa super cara é realmente necessária
na sua vida, ou no final das contas não é mais um simples pedaço de pano a ser
doado para alguém daqui alguns anos?
Sempre tive medo de viver, não me julgue depressiva porque
acho que estou longe de ser. Porém assumo realmente sempre tive e acho que terei
medo de viver mas não é exatamente de
viver em si que tenho medo, tenho medo de viver erroneamente. Tenho medo de
fingir estar vivendo, tenho medo de viver em mais um dos meus diversos sonhos,
não que minha vida seja perfeita – afinal a de quem é? – está novamente longe
de ser, mas não costumo reclamar dela. Viver é depois descobrir que vivi a toa, é
desse viver que morro de medo todos os dias em quem acordo. Será que existe a
fórmula certa para se viver essa vida? A fórmula que me mostre como aproveitar
cada minuto como se fosse o último, que não me faça me arrepender de minhas
atitudes ou falta delas. Se existe deve estar guardada no fundo de uma gaveta
velha, misturada com diversas outras lembranças tão adoradas.
Porque existem duas fases das nossas vidas em que as pessoas
realmente parecem ser felizes, uma é quando somos crianças. Nessa época deliciosa
em que nossa maior preocupação é saber se vai fazer sol na outra manhã e se
poderemos comer batata-frita no almoço. Sim, realmente éramos felizes nessa época,
não nós preocupávamos com o que é felicidade com o real caminho que estamos
dando para nossas vidas, apenas vivíamos cada dia como queríamos dentro dos
limites delimitados pelos nossos pais. A
outra fase trata-se de nossa velhice, mas o sentido da vida só nós chega nessa
idade quando realmente aceitamos de braços abertos e com um imenso sorriso de
dever cumprido estampado no rosto. Sério mesmo, todo mundo já viu um daqueles
grupos de idosas super animadas na hidroginástica do clube. Ou o time de
futebol dos idosos do bairro, eles cheios de problemas de saúde na maior parte
das vezes correm mais alegres que muitos jovens em aulas de educação física do
colégio. Ver idosos animados sempre me faz ganhar o dia, fico pensando como
posso ser tão cheia de besteira na cabeça? Enquanto os vejo e percebo que para
realmente ser feliz é preciso ter pouco, parar de criticar tudo e deixar fluir
naturalmente.
Entretanto me encontro na idade chata da vida, aquela em que
preciso decidir tudo. Vestibular, carreira, namorado, amizades, personalidade,
interesses. Minha infância já passou a uns bons anos, não me lembro mais como
garantir aquele sorriso sem preocupação, e minha velhice está mais longe ainda
de chegar, então ainda não compreendi o real motivo da vida. Sendo assim vou
tentar continuar vivendo, pensando, errando, chorando e me principalmente me
arrependendo, mas continuarei tentando viver e viver do jeito certo, se é que
realmente existe um jeito certo para se viver essa complicada vida. Será que
vida de barata é mais fácil? Como vou saber? Diferente de Gregor Samsa ainda
não virei barata, mas a vida para ele também não me pareceu fácil. No final das contas viver é difícil, dói, machuca,
fere, mas ainda sim assim como a maioria ainda prefiro continuar tentar
entender o que realmente é viver, do que acabar com tudo. Sempre gostei de um
bom mistério, e espero ser um daquelas velhas animadas da hidroginástica,
porque elas sim me parecem ótimas detetives.
Mariana Vieira Galvão.

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